Descobrir Artistas Açorianos
May 6, 2026

Descobrir Artistas Açorianos

Insularidade, entre a fronteira e a liberdade de criação

"... uma manhã transparente que hesita e flutua como um ser delicado, envolta em neblinas (...) Há nas coisas uma hesitação, uma mescla, um abrir, como no princípio do mundo quando a água, a luz e a terra não estavam ainda separadas pela mão de Deus."

Raul Brandão, " As ilhas desconhecidas"

 

 

Há pouco mais de cem anos o escritor Raul Brandão embarcou rumo aos Açores, numa viagem que duraria dois meses e que daria origem a um impressionante diário sobre estas ilhas.

Hoje, e aproveitando o ano em que Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel nos Açores, é a Capital Portuguesa da Cultura, fazemos como o escritor e vamos à descoberta de obras de artistas açorianos editados pelo CPS, provando que a insularidade não traz só obstáculos, sendo até talvez a força motriz e inspiração para a criação.

 

 

 

JOSÉ NUNO DA CÂMARA PEREIRA
Santa Maria (1937-2018)

 

José Nuno da Câmara Pereira, S/ Título, Serigrafia

 

Animava-o o questionamento sobre a natureza do mundo. Em terra continental trabalhou a instabilidade da matéria, onde a pintura nascia e morria e onde líquidos se transformavam em fumo e fogo. De regresso às ilhas, procurou a permanência, a assumida presença dos corpos.

 

 

CARLOS CARREIRO
S. Miguel (n.1946)

 

Carlos Carreiro, S/ Título, Serigrafia

 

Reutiliza técnicas ilustrativas que nos surpreendem pelas mudanças de escala, assim como pela animada relação entre elementos da História e de estórias. Os diferentes componentes arquitetónicos e personagens, remetem para a cultura açoriana.

 

 

MARIA TOMÁS
Santa Maria (n.1951)

 

Maria Tomás, S/ Título, Gravura

 

O trabalho da artista reparte-se entre a pintura e a gravura. Pauta-se pela oscilação entre o uno e a repetição, o elemento e o todo. Tem vindo a retomar "o retábulo" - a parte que faz parte do todo, mas vive por si - iniciando-se no minimal, mas que se estende à exaltação do barroco.

 

 

PAULO DAMIÃO
S. Miguel (n.1975)

 

Paulo Damião, S/ Título, Gravura

 

O amor, a vida, a morte e as emoções, expressas pelo artista através de um universo particularmente sensível. A escuridão e, simultaneamente, a clareza dos rostos, indicam-nos a sua inegável existência e fragilidade.

 

 

GABRIEL GARCIA
Pico (n.1977)

 

Gabriel Garcia, "O meu Império fica num país distante II", Gravura

 

Autor de figuração narrativa, as suas estórias fantásticas e grotescas são contemporâneas fábulas que registam o encanto e desencanto do quotidiano. Nos últimos anos, o seu trabalho evoluiu para um estilo mais sóbrio e depurado, próximo da melancolia e secretismo.

 

 

PANTÓNIO
Terceira (n.1975)

 

Pantónio, "Os ambiciosos", Serigrafia

 

Os seus trabalhos mantêm-se numa economia de cor, centrada numa base escura vulcânica, com fundos de luz fraturante desenhada com linhas de água. Segundo uma técnica que esculpe as formas a preto até chegar à luminosidade e volumetria.

 

 

 

Apaixonadas pelas ilhas

Sara Yan (Lisboa, 1982), reside na Ilha do Pico.

Sara Maia (Lisboa, 1974), reside na Ilha das Flores.

 

Sara Yan, Interferências "A singularidade do múltiplo", Serigrafia intervencionada

Sara Maia, S/ Título, Serigrafia

 

 

 

No trabalho de Sara Chang Yan, o desenho é um guia de pesquisa, uma procura mediada por conceitos abstratos como “Deus” ou emoções como “ternura” que emergem da artista.

 

Pela vertente narrativa e o olhar cáustico da pintura de Sara Maia, os dramas da nossa sociedade são retratados. Desmistifica a moral tradicional, usando a ironia e uma forte paleta.