A Arte como Linguagem da Humanidade
13 de Agosto de 2026

A Arte como Linguagem da Humanidade

Da necessidade de comunicar à capacidade de transformar o mundo

A arte pode não ser uma consequência da evolução cognitiva, mas um dos fatores que impulsionaram a própria evolução humana. Esta é uma visão partilhada por várias correntes modernas da antropologia, arqueologia cognitiva e neurobiologia.

A criação artística exige capacidades cognitivas complexas, como imaginação, abstração, memória, planeamento e pensamento simbólico. Ao desenvolver a capacidade de gerar símbolos, representar o mundo, contar histórias, produzir música, o ser humano estaria a criar formas de comunicação e de relação com o mundo e com os outros, essenciais para a cooperação, proteção do grupo e transmissão cultural.

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Miguel Chevalier, S/ título, Serigrafia s/ placa acrílica

Esta hipótese sobre coevolução entre capacidades humanas e cultura pressupõe que a evolução biológica e o desenvolvimento civilizacional terão tido influência mútua ao longo da história. 

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Regina Frank, "Translucent darkness", 2005, Fotografia s/ tela de linho

O “Nascimento da Arte” escrito por Georges Bataille é um ensaio fundamental onde o filósofo analisa as pinturas rupestres de Lascaux. Vê-as como o despertar da consciência humana, ligando-a à arte e ao sagrado. Sugere que a arte nasce quando o ser humano se afasta da pura sobrevivência, criando um mundo interior de interdições e rituais.

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Duarte Belo, S/ título (Foz Côa), Fotografia

A arqueologia cognitiva estuda a evolução da mente humana através dos vestígios materiais deixados pelos nossos antepassados. Quando analisa a arte, esta disciplina não a vê apenas como estética, mas como uma ferramenta cognitiva essencial para o desenvolvimento do Homo sapiens.

O resultado da expressão artística permite guardar informações complexas fora do cérebro biológico, facilitando o conhecimento entre gerações sem depender apenas da fala.

Pensar e simbolizar coisas que não estão presentes no momento; atribuir significados e nomes a figuras concretizadas por linhas e pigmentos, são indícios de maturidade neurológica e auxiliaram a origem da própria escrita.

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César Barrio, "Arqueologia", Água-forte com relevo s/ papel artesanal

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Ana Romãozinho, "Maria Sara" (Mulheres Saramaguianas), Serigrafia

Partilhar mitos e histórias através da arte foi essencial para a criação da identidade de grupos, essencial para a manutenção da vida e do seu desenvolvimento, tal como a conhecemos. 

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Elisa Ochoa, "Lançar a luz #2", Serigrafia

Se a Arte nos permitiu contar quem fomos e a imaginar o que poderíamos ser, além de deixar memória do que vivemos, será que sem ela seríamos os mesmos?