António Ramos Rosa

Vogal Viva, Álbum de Arte

2 de Abril de 2006 - 30 de Abril de 2006
CPS Sede

Celebrando os seus vinte anos e os oitenta de António Ramos Rosa, o Centro Português de Serigrafia (Rua dos Industriais, nº6, 1200 Lisboa) editou um álbum de poesias e de desenhos inéditos do poeta que já foi candidato ao Prémio Nobel, com o título Vogal Viva, inspirado num dos seus versos. O lançamento do álbum será efectuado nas instalações Centro Português de Serigrafia (Rua dos Industriais, 6, 1249-023 Lisboa), sábado, 2 de Abril, pelas 16h, com a presença do poeta. A apresentação ficará a cargo de Maria João Fernandes, autora do prefácio e a leitura dos poemas por Alexandra Bernardo. No presente álbum cuja feitura coincidiu com uma exposição de desenhos do poeta na Galeria S. Bento, desenhos e poemas de amor identificam o esplendor de uma expressão multímoda sob o signo da mulher e do amor que reúne a palavra e a imagem num mesmo sopro criativo, elo de ligação a um mistério essencial. O grafismo e duas sublimes fotografias do poeta são da autoria de João Prates, director do Centro Português de Serigrafia, em cujas oficinas, foi realizado, com o maior requinte e apuro, o álbum. A encadernação artística manual foi concebida em duas versões, para a edição normal e para a edição especial, por Vasco Antunes. A edição normal numa tiragem de 200 exemplares é acompanhada por uma gravura da autoria de António Ramos Rosa e a edição especial, de 50 exemplares, por um desenho original. Maria João Fernandes escreve no prefácio: “É Foucault ("O Ser da Linguagem" As Palavras e as Coisas) para quem a linguagem resulta originalmente e até ao século XVII, de uma relação de semelhança com o mundo que tende a absorver a significação dos signos, "preservando no entanto o seu ser "enigmático e primitivo", quem reconhece no elo que a literatura moderna renova com o impensável, o desconhecido, o "ser vivo" da linguagem, a sua especificidade e autonomia. Toda uma plêiade de poetas ilustres praticou o diálogo com a pintura, de William Blake, Dante-Gabriel Rossetti, William Morrris e Lewis Carroll a Victor Hugo e George Sand, aos simbolistas franceses (com destaque para Alfred Jarry) e belgas nos anos da Revue Blanche. Das experiências futuristas de Apollinaire (autor dos Caligramas, o livro mais emblemático da relação poesia pintura no século XX), Jean Cocteau e Blaise Cendrars à obra de génio ímpar de Almada Negreiros e ao "momento" privilegiado do Surrealismo onde vemos brilhar André Breton. Outros poetas e expoentes da cultura europeia da modernidade se dedicaram à deliciosa contaminação de linguagens, entre os quais se destacam em Espanha Rafael Alberti e Federico Garcia Lorca e entre nós Teixeira de Pascoaes, José Régio, Julio-Saúl Dias, Mário Cesariny, Artur Cruzeiro Seixas, Ernesto Melo e Castro, Ana Hatherly e, justamente, numa consagração que o actual álbum homenagem documenta, António Ramos Rosa. Com um fulgor e com uma beleza que nos deslumbram, do magnífico turbilhão de palavras, da árvore de um só fruto, do paraíso, a que o poeta já se referiu (Posfácio a Cerejas Poemas de Amor de Autores Portugueses Contemporâneos) vemos emergir com a pureza de um arquétipo essencial a sua musa, imagem, vogal viva de uma anima que é mais do que a mulher amante da sua poesia, a sublime metáfora da Anima, signo e emblema de uma realidade total. Aquela que funde e onde se fundem o corpo e o espírito, a matéria e o sopro original, divino, da criação.” A mulher, está na origem de dois dos seus mais significativos livros: Mediadoras (Ulmeiro, 1885) e O Teu Rosto (Asa, 2001), dedicado à sua mulher, Agripina Costa Marques, também poeta. O presente álbum, obra prima de edição de arte, corresponde também à mais bela celebração do amor e da figura feminina, inspiração e fundamento de toda a poesia e do desenho de António Ramos Rosa, num esplêndido diálogo entre a palavra e a imagem.