Em 2025 comemora-se o centenário de Querubim Lapa (1925-2016), um dos grandes nomes da arte portuguesa do século XX. O CPS eleva a vida e obra do autor, assinalando a liberdade e a singularidade da sua Arte.
Pintor, escultor e ceramista, destacou-se no movimento neorrealista, corrente de ideologia antifascista surgido na década de 1930, com destaque para a denúncia política e social.
Formado sob a orientação de mestres como Leopoldo de Almeida, Querubim Lapa manteve uma forte ligação à Escola António Arroio, onde foi aluno e professor, e à Cooperativa de Gravadores Portugueses, palco da sua primeira exposição individual.
Autor de obras públicas emblemáticas, como o painel da Reitoria da Universidade de Lisboa e As Meninas e os Meninos na escola de Campolide, que hoje leva o seu nome, foi pioneiro na experimentação cerâmica, explorando novas técnicas e soluções plásticas.
A sua relação com a Fábrica Viúva Lamego foi de especial importância, uma vez que Querubim Lapa aprendeu a trabalhar a cerâmica, trabalhando simultaneamente como escultor e alquimista.
Querubim Lapa, "Máscaras", Cerâmica, 20x20 cm, 150 exemplares
Da imprevisibilidade do barro e das matérias vítreas, nasceu um universo visual que inspirou também a sua pintura, onde a geometria se aliou à narrativa do quotidiano.
Nos anos 60-70 passa para uma fase mais abstrata. “Ele foi um artista que se foi sempre atualizando, explorando novas possibilidades” e que “brincou com as formas, com os volumes, criando elementos de perspetiva fantasiados por ele, que não são reais", refere o historiador de arte, especializado em azulejaria, José Meco.
Querubim Lapa, "Os feirantes", Serigrafia, 50x80 cm, 200 exemplares

Querubim Lapa no Centro Português de Serigrafia por ocasião da edição da obra "Mulher Caracol"