África: Cartografias da Matéria
May 11, 2026

África: Cartografias da Matéria

Uma celebração da presença e influência africana na edição contemporânea do CPS

Comemoramos este mês o Dia Mundial de África, assinalado a 25 de maio, evocando a importância dos artistas de origem africana no percurso editorial do CPS, bem como de autores cuja obra foi profundamente marcada pela terra e pelas culturas do continente.

 

No Atelier CPS, através da serigrafia, gravura, litografia e fotografia, artistas como Malangatana, Chichorro ou Kiki Lima, entre muitos outros, construíram universos visuais onde a imagem é simultaneamente espaço e linguagem, gesto e permanência. Mais do que representar África, estas obras propõem formas de a pensar e de a sentir enquanto território vivo, múltiplo e em constante transformação. 

 

Neste contexto, o CPS reuniu um conjunto de obras emblemáticas de artistas africanos e de artistas portugueses influenciados pela cultura africana, agora em exposição na Galeria CPS, no CCB, até 25 de maio. 

Malangatana, "Canto Mitológico", Álbum com serigrafia e gravura

 

Entre as edições em destaque, encontra-se Canto Mitológico, de Malangatana (1936–2011), um álbum de arte de edição limitada (2006) que integra gravuras, serigrafias e poemas originais do incontornável artista moçambicano. Esta obra permanece como um importante objeto de coleção no panorama da arte contemporânea lusófona, com condições especiais para sócios até 25 de Maio.

 

 

Kiki Lima, "Ao rtimo da coladeira", Estampa digital s/ tela

 

A obra Ao ritmo da Coladeira, de Kiki Lima (1953–2025), impressa em tela e editada em 2025, assinala os 50 anos da Independência de Cabo Verde. Falecido no mesmo ano, o artista deixou um legado vibrante, onde a cor e o ritmo traduzem a identidade do seu povo.

 

 

Chichorro, "Noite de lua luando", Estampa digital s/ tela

 

Noite de Lua Luando celebra os 80 anos de Chichorro (n. 1941), artista moçambicano cuja obra se distingue pela intensidade cromática e pela expressividade ousada que atravessa todo seu trabalho.

 

Cruzeiro Seixas, "O mais secreto gesto", Álbum com serigrafia, gravura, objecto

 

Por seu lado, Cruzeiro Seixas (1920–2020), que viveu em Angola entre 1951 e 1964, transporta para a sua obra a densidade dessa experiência. O mais secreto gesto, objeto de autor comemorativo dos seus 99 anos, reúne um livro-labirinto com desenhos e poemas escritos em África, constituindo uma peça de referência nas edições CPS que cruzam arte e poesia.

 

 

 

José de Guimarães, "Série: Desenhos na areia", Serigrafia

José de Guimarães, "Série: Desenhos na areia", Serigrafia

 

Também José de Guimarães (n. 1939), cuja obra se constrói a partir de uma linguagem visual tátil e matérica, encontra na cultura africana uma fonte essencial de inspiração. Detentor de uma das mais relevantes coleções de arte africana em Portugal, o artista reflete essas influências em séries como Desenhos na Areia, inspirada nos grafismos das tribos Quiocos do Nordeste de Angola.

 

 

Madiha Sebbani, "Paradoxe", Fotografia

 

 

 

Rahma Lhoussig, "Unforgettable", Serigrafia

 

 

 

 

 

 

 

Numa latitude mais próxima da Europa, as artistas marroquinas com obras inspiradas no legado patrimonial e cultural do seu país de origem: Malika Agueznay (n. 1938)Najia Mehadji (n.19580) e Ghizlane Agzenaï (n. 1988). combinam a caligrafia islâmica com motivos florais, vegetais e geométricos. Madiha Sebbani (n.1991) Rahma Lhoussig (n. 1966) abordam temas que refletem questões de carácter social como a globalização, a cidadania e a identidade feminina árabe.

 

 

Najia Mehadji, "Volute", Serigrafia

 

 

Entre memórias, gestos e matérias, estas obras desenham uma cartografia viva de África, onde passado e presente se entrelaçam em permanente reinvenção.

 

 

Malika Agueznay, "Amour", Gravura, água-forte, água-tinta

 

 

 

África: Cartografias da Matéria
CPS no CCB

De 11 a 25 de maio de 2026
Galeria CPS no CCB - centro Cultural de Belém
Praça do Império, 1440-003 Lisboa
Horário: Todos os dias das 10h às 19h