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Ivan Messac nasceu em Caen, França em 1948 e é atualmente uma das figuras cimeiras do movimento de Figuração Narrativa. Participou em numerosas e importantes manifestações artísticas, estando representado em galerias, museus de todo o mundo e prestigiadas coleções. Tem uma obra pública significativa sob o formato escultura. Atualmente vive e trabalha em Paris. Entrevistámos o artista por ocasião das duas novas serigrafias realizadas para o CPS.


Depois da sua abordagem serigráfica ao universo pessoano, em anteriores edições CPS, estas duas serigrafias, plenas de cor e movimento, transmitem o espírito da dança, num tempo de isolamento social. Porquê?

O tema da dança tem sido retratado por muitos artistas. Matisse claro, mas também Degas, Toulouse Lautrec ou Severini… É um tema apaixonante porque é a expressão da Vida. Um acoplamento dinâmico, um movimento que o pintor deve traduzir através de meios estáticos: pontos, linhas, superfícies, formas e cores. Neste período de isolamento parece-me essencial exprimir aquilo que já não se pode fazer: encontrarmo-nos, divertirmo-nos, estar juntos, dançar. Hoje em dia, dançar significa lutar, resistir… e a partir do momento em que isso não é possível, é-o o pintar.

 

Serigrafia Tu me fais tourner la tête   Ivan Messac Pas trop de macaroni

 

Visualmente remetem para os anos 50 e 60. Qual o propósito?

Não pensei nos anos 50 e 60 mas é provável que, tendo vivido a minha adolescência nesse período, tenha experienciado uma certa nostalgia. Existe uma outra coisa, o movimento da Figuração Narrativa, ao qual estou ligado, que vem, tal como a PopArt, de uma estética popular repleta de cores fortes e de referências à música jazz, rock e pop. As minhas mais recentes obras perpetuam essas inquietudes, procurando sempre representar com menos apoio na fotografia como era nas minhas anteriores obras.

 

Uma delas tem uma superfície espelhada onde cada espectador se pode rever. O que pretende transmitir?

Dessa forma entramos na dança. Nós, vocês, eu….

 

Que importância atribui à obra gráfica e ao múltiplo no contexto da sua obra?

Fiz muitas serigrafias ao longo destes últimos 50 anos. Fi-las sempre com o mesmo desejo de partilhar a minha obra com o maior número possível de pessoas. Além disso, a prática das técnicas de impressão (serigrafia, lino gravura, água-forte, litografia) enriqueceu algumas vezes a minha prática de pintura.

Por outro lado, sonho frequentemente, e faço-o por vezes, em colocar o meu talento ao serviço de produção de objetos usuais: tapetes, cartazes, baralhos de cartas, pratos… e como eu era escultor, móveis, jarras, etc.


O que gostaria de transmitir aos jovens colecionadores e apreciadores da sua obra?

Não sei, mas gostaria de partilhar com eles as preocupações que me motivam. Gostaria de, num mundo difícil, partilhar alguns momentos de beleza.


De que forma a convivência direta com a arte contribui para o aperfeiçoamento da sociedade contemporânea?

Partir à aventura, descobrir terras ou civilizações desconhecidas é um dos meios de desenvolvimento das nossas sociedades. Mas hoje em dia não existem mais terras desconhecidas, exceto no espaço. A arte é sempre uma terra desconhecida, aquele que se aventura nela, descobre, transforma-se, desenvolve-se. Por isso, a arte contribui muito.


O que se espera atualmente de um artista?

Não podemos pedir o impossível aos artistas. No entanto, podemos esperar que eles sejam os guardiões e os propagadores da liberdade. É preciso esperar que eles sejam livres com eles próprios, nas suas criações e que as partilhem connosco.

 

Dezembro de 2020

Foto: Battistini