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À conversa com Júlio Pomar

Por ocasião da realização da serigrafia "Um Ar que lhe deu", edição especial de Júlio Pomar enquadrada nos 30 anos do CPS, João Prates, seu diretor, conversou com o artista, decano dos grandes mestres do século XX português, no seu Atelier em Lisboa.



Conheci o Atelier de Júlio Pomar nos anos 90 no contexto de uma reportagem para a revista ‘Galeria de Arte’ editada pelo CPS. Logo o entendi como um local de culto, para se falar baixinho, laboratório criativo encantatório e grandioso. Voltei lá mais recentemente, a propósito da edição da serigrafia dos 30 anos CPS e tive este breve, mas inesquecível, diálogo com um dos mais relevantes artistas portugueses da segunda metade do Séc. XX. É bom partilhar. 

 

Júlio Pomar esteve na origem da criação da Cooperativa de Gravadores Portugueses, em 1956, que foi o embrião da Obra Gráfica contemporânea e desde então desenvolveu um percurso notável nesta área, explorando todas as técnicas. Teve alguma técnica de eleição que lhe transmitisse maior prazer criativo?
É difícil dizer. Nesse período, à medida que ia experimentando, ia ganhando amor a essa espécie da gravura. Depois quando passei a viver em Paris, o que aconteceu do ponto de vista gráfico foram sobretudo litografias coloridas e serigrafias. Conhecemos melhor estas palavras do que propriamente as coisas técnicas da gravura, onde esta tendência para cores cresceu à medida do desenvol-vimento tecnológico.

 

A relevância da sua Obra Gráfica é reforçada pelo catálogo raisonné, em preparação e a sair em breve. Qual tem sido a importância da obra gráfica e do múltiplo na sua caminhada artística?
A obra gráfica foi muito importante para mim, nas suas diferentes modalidades e constitui mesmo uma parte fundamental da minha obra.

 

Pela admiração à sua obra, foi um privilégio para o CPS poder contar com a sua associação aos seus 30 anos, com uma serigrafia muito especial que sintetiza três dos seus processos de eleição, a pintura, o desenho e o objet trouvé. Pode-nos falar sobre esta obra em particular?
Esta obra tem como diferença, em relação à parte mais abundante do trabalho recente, o ter sido criada inteiramente e não ser de maneira nenhuma uma espécie de reprodução. Utilizando elementos pré-existentes, ela não é uma recriação de qualquer coisa já feita, é o encontro sobre a folha de papel, de elementos que vêm de diferentes direções e esse encontro não existe senão na própria peça.

 

Os jovens são aqueles para quem a obra Gráfica adquire maior sentido. O que gostaria de transmitir aos jovens colecionadores e apreciadores da sua obra?
Bom, é sempre grato para um artista ver que a sua obra é apetecida, desperta curiosidade e interesse, sobretudo depois de andar já há muitos anos nesta via sacra, chamemos-lhe assim.

 

Num mundo voraz e veloz, de mutações constantes e sem espaço à reflexão e contemplação, a Arte é sempre urgente?
Eu acho que é sempre urgente. Ela não existe sem a reflexão e sem pôr as coisas em questão.

 

Digamos que a arte é sempre jovem.
De certa maneira, tem que conter sempre o futuro.
Naturalmente, ou então já não é arte.

 

Nov'2015